A segunda-feira (8) foi intensa nos bastidores da política paranaense e nacional. Em Curitiba, o presidente nacional do Progressistas (PP), Ciro Nogueira, e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Alexandre Curi (PSD), protagonizaram uma longa e reservada rodada de conversas que movimentou líderes partidários e acendeu alertas no entorno do senador Sérgio Moro. Embora oficialmente tratadas como reuniões de rotina, as conversas carregaram um peso político evidente: o PP deu, na prática, um empurrão para fora da federação União Progressista, sinalizando que a permanência de Moro já não é considerada estratégica — e talvez nem tolerada — pela cúpula nacional.
O encontro em Curitiba, descrito por interlocutores como um “tricô político”, reforça a movimentação silenciosa, porém contínua, de forças que buscam reorganizar o tabuleiro eleitoral de 2026. Ciro Nogueira, um dos articuladores mais influentes do centrão, deixou claro em gestos e mensagens internas que o espaço de Moro dentro da federação se tornou insustentável. O senador, que ingressou no grupo partidário como promessa de protagonismo, hoje enfrenta desgaste, resistência e, sobretudo, isolamento.
A presença de Alexandre Curi nesse diálogo aprofunda a leitura de que o movimento não é apenas nacional, mas envolve diretamente atores regionais com forte influência no Paraná. Curi, que transita entre diferentes grupos políticos e mantém canais abertos tanto com aliados quanto com adversários, tem papel central na reorganização das forças estaduais. Sua sintonia com Ciro Nogueira no encontro desta segunda foi interpretada como mais um indicativo de que há alinhamento estratégico para redesenhar o espaço político do PP e, por consequência, da federação.
Ao empurrar Moro para fora, o PP sinaliza que está disposto a reconfigurar suas alianças sem carregar desgastes herdados do bolsonarismo e das disputas judiciais que orbitam o ex-juiz. O gesto também prepara terreno para negociações mais amplas com PSD, Republicanos e PL, mirando disputas majoritárias.
Nos bastidores, o recado é claro: o isolamento de Sérgio Moro não é acidental — é construção política. E as conversas em Curitiba foram apenas mais um capítulo desse processo, que promete novos desdobramentos nos próximos dias.
